Diário compartilhado: seja você (título provisório)

Pintura de James Ensor
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Eu sei que devo escrever alguma coisa, por isso estou escrevendo. Mas o que eu devo escrever? Não sei. Vamos ver se até o final desse texto eu descubro. Estou ouvindo música clássica, Frédéric Chopim. Não gosto muito de Mozart. Gosto de Vivaldi. Eu não deveria ouvir música clássica, devo ouvir sertanejo, afinal todo mundo ouve. Olho para cima e em um curto devaneio penso no amor. Eu não deveria pensar no amor, todo mundo pensa em sexo, só sexo. Penso em maneiras de melhorar o mundo. Eu não deveria pensar em melhorar o mundo, todo mundo pensa em ser feliz, mesmo piorando o mundo.
   
Olhei para a parede branca esperando que ela se transforme em uma continuação para este texto que eu nem sei se irei publicar. A parede me fez pensar em vinho, vou ali buscar e já volto. Eu bebo vinho em uma xícara, mas eu não deveria, pois todo mundo bebe vinho em taça. Foi eu falar que não gosto de Mozart que me deu vontade de escutar Mozart. Na verdade eu gosto de Mozart, só enjoei daquela música famosa dele que todo mundo alguma vez na vida já cantarolou. Ainda não sei qual o significado que esse texto vai ter, se é que vai ter algum significado. O primeiro pensamento foi escrever algo que provocasse uma vontade nas pessoas em ser quem elas realmente são. Comecei a pensar e minha mente lembrou de mil perguntas e nenhuma resposta. Como somos confusos, a natureza do ser humana é confusa. Eureca! Talvez essa seja minha primeira resposta. Vamos ser confusos! Talvez seja a única maneira de descobrir as coisas, duvidar. Vou fazer outro parágrafo para que as pessoas continuem a ler. Ninguém gosta de parágrafos longos.
    
Como é ridículo o cabelo do Mozart nessa pintura que eu estou olhando agora. Daqui a cem anos iremos achar ridículo o cabelo de vários cantores famosos. Me veio mais uma pergunta. Será que a fama de música ruim perdura por muito tempo? Daqui cem anos vamos lembrar de Phill Veras ou Luan Santana? Ou será que ainda lembraremos de Mozart? Que texto mais louco. Mas prosseguirei por pura necessidade de escrever. Alguém vai ler? Não sei, nem sei se irei publicar. Voltando para o tema do texto, se é que em algum momento ele teve um tema definido. Como ser você mesmo? O que é ser você mesmo? Não seguir o que a mídia diz? Ou seguir o que a mídia diz é ser uma certa forma de você? E se você fazer o que pensa e sofrer represálias? Vale o risco? Se abster de opiniões é válido? Quem está certo? A solução é mergulhar nos livros? E se o mergulho for profundo e causar sérios danos a nós? Por que trabalhamos para viver? Será que vivemos para trabalhar? Quem organizou isso? Trabalhamos cinco ou seis dias por semana para juntar dinheiro para viver dois ou um dia. É isso? Não sei. Melhor fazer outro parágrafo. 
     
Está ficando grande esse texto e até agora não falou nada com nada. Acho que não devo publicar. Estou lendo os vários papeis grudados na minha parede para ver se consigo continuar essa narrativa. Na verdade continuar é a parte fácil, difícil é achar algum sentido para ela. O vinho começou a fazer efeito. Já posso falar besteira. Vou contar um segredo. Certa vez eu fiz algo que muitos não irão acreditar. Eu estava na minha cama lendo um livro quando ... Melhor eu não contar. Boa noite!
    
L.F Nando Donel

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